“Pelo menos assim ele come!” – Já se pegou pensando assim?

Escuto muito isso no consultório e também em conversas informais, falando sobre oferecer papinhas batidas ou muito amassadinhas e até misturadas: “Pelo menos assim ele come”. Entendo que o início da alimentação pode ser mesmo um desafio, mas precisamos estar atentos para não acabar atrapalhando o aprendizado do bebê.

Eu, como profissional nutricionista, conhecendo todas as consequências (nutricionais e comportamentais) de uma introdução alimentar inadequada, prefiro que o bebê aprenda a comer a que ele apenas coma. Querer que o bebê apenas coma, aumenta as chances de dificuldades alimentares e seletividade alimentar nos próximos anos.

Aprender a comer é mais lento, é mais trabalhoso, mas vale muito o esforço! O bebê que aprende a comer, desenvolve habilidades de mastigação, deglutição, coordenação motora, constrói intimidade com os alimentos e uma boa relação com a comida. Ele entende e respeita os sinais do seu corpo. Quantos adultos estão agora mesmo lidando com comer transtornado, tentando comer com atenção plena, tentando identificar e respeitar seus sinais de fome e saciedade para ter mais saúde?

Comer (ingerir o alimento) talvez seja o menos importante no processo de introdução alimentar, principalmente nas primeiras semanas. Se a ansiedade e a insegurança estão grandes por aí, procure ajuda e viva essa fase com mais leveza!

Voltar